Os Líderes da Cadeia de Abastecimento

Prateleiras cheias, com um nível de stock mínimo, baixos custos de transporte e um reduzido número de pessoas a trabalhar nos armazéns, lojas e equipa de gestão – isto não é uma visão do futuro, antes é o resultado de uma excelente gestão da cadeia de abastecimento.
Alguns retalhistas de sucesso estão já a fazer uso desta abordagem – as suas prateleiras estão mais cheias do que as dos seus concorrentes e também a um custo inferior. Como é que conseguem? Um novo estudo vai levar-nos aos bastidores dos negócios com cadeias de abastecimento de excelência.
O Seminário para a Gestão da Cadeia de Abastecimento e a Ciência de Gestão na Universidade de Colónia e uma equipa de consultores de gestão da McKinsey & Company conduziram um estudo sobre os factores de sucesso para a gestão da cadeia de abastecimento dos retalhistas Europeus. Levaram a cabo entrevistas a executivos para medir e avaliar a performance da cadeia de abastecimento dos retalhistas líderes assim como indagar ou directamente observar as suas abordagens de gestão. Aos especialistas foi-lhes pedido a opinião sobre as actuais tendências de gestão da cadeia de abastecimento.
Neste estudo participaram 33 retalhistas de produtos de grande consumo de alta rotação de 4 países Europeus. As empresas envolvidas representam ¼ do total das receitas do retalho Europeu.

Como resultado do estudo, obtiveram a caracterização dos retalhistas Líderes e dos Seguidores. Em traços muito gerais os líderes apresentam altos níveis de Serviço (disponibilidade na prateleira) e baixos níveis de Esforço (custos logísticos e de stock), enquanto os Seguidores apresentam os mesmo níveis de Serviço mas com um nível de Esforço muito elevado. Em termos numéricos os Líderes apresentam uma disponibilidade de prateleira de 98.2% (contra os 95.3% dos Seguidores) e um investimento na cadeia de abastecimento (em percentagem das receitas) de 3.65% (contra os 5.0% dos Seguidores).

Segundo o mesmo estudo, foi identificado 5 factores críticos que determinam o grau de eficiência da cadeia de abastecimento: eficiência da logística da loja; sistema logístico de alta performance; focalização na cooperação; reaprovisionamento baseado na procura e uma gestão da cadeia de abastecimento integrada na organização. Quanto maior for a percentagem de implementação efectiva destes 5 factores na organização, mais próximo estará o retalhista de uma posição de liderança.
Quando se compara os Líderes com os Seguidores, os pontos onde encontramos maiores disparidades de percentuais de implementação são o Reaprovisionamento Baseado na Procura (inclui reaprovisionamento automático e gestão sistemática das promoções), Eficiência da Logística da Loja (processo eficiente de reposição e gestão de pessoal baseado na procura) e Focalização na Cooperação (colaboração operacional intensiva, grande percentual encomendas EDI e controlo preciso da performance dos fornecedores).

Para além destes e de outros resultados do estudo, é particularmente interessante ver o que os executivos consultados consideram ser a excelência da cadeia de abastecimento por volta do ano de 2010.

Gestão de Fornecedores. Uma grande variedade de acordos com um numeroso conjunto de produtores de média dimensão são coisas do passado. A cadeia de abastecimento excelente do futuro só terá pequenos e grandes fornecedores. Lidar com grandes fornecedores irá possibilitar atingir um nível de transparência reciproca, para benefício de ambos os parceiros. Para pequenos fornecedores, acordos estandardizados irão gradualmente substituir contractos e regulamentações individuais.

Inbound Logistics. O volume de recepções geridas pelos retalhistas está em continuo crescimento. A componente deste volume que irá para as lojas em fluxos do tipo JIT (Just in Time) irá aumentar, passando do valor actual de 9% para cerca de 23% em 2010.

Cross-docking/Armazenamento e Reabastecimento de Lojas. Os retalhistas de topo continuarão a desenvolver e a expandir o cross-docking; a percentagem de pontos de “transshipment” controlados por retalhistas irá aumentar. A crescente importância da logística “fábrica-cais do armazém” irá conduzir à implementação cada vez mais frequente de processos “merge-in-transit”, ou seja mais uma variante do cross-docking: carregamentos de várias localizações de fabricantes não são mais reunidos num armazém central do fabricante, mas antes agrupados em contentores por loja, nos armazéns dos retalhistas em processos de cross-docking.

Recepção nas Lojas. A transmissão de dados irá ser expandida, de modo a que o fluxo de mercadorias se torne mais transparente. Tal como o calculo da data de entrega, a composição da próxima recepção é conhecida antecipadamente, porque os dados para todas as recepções já terão sido introduzidos no sistema do retalhista via EDN (Eletronic Dispatch Notice). Os responsáveis pela logística da loja sabem exactamente o momento de cada entrega individual. Em consequência, podem gerir o seu pessoal atribuindo prioridades à reposição das prateleiras.

Processos de Reaprovisionamento e Gestão de Prateleiras. Informação sobre as vendas diárias é determinante nesta área. Os retalhistas continuarão a trabalhar com os seus parceiros de maior relevância da industria, para melhorar a gestão das prateleiras. Aqui as considerações de ordem logística irão desempenhar um importante papel neste esforço. No layout das prateleiro do futuro, o número de embalagens permitidas nas prateleiras para cada artigo corresponderá a uma estimativa de vendas para um determinado número de dias.

Gestão de Stocks. Uma grande percentagem dos produtos encomendados será efectuada por processos totalmente automatizados. A gestão de stock para as promoções terá também melhorado significativamente em 2010, com um grau de confiança muito maior na componente estatística do que na intuição.

RFID. A identificação por rádio frequência continuará a ser um tema relevante nos próximos anos. Os chips de RFID irão eventualmente substituir os actuais códigos de barras. No entanto, nos dias de hoje ainda é muito frequente haver problemas de leitura dos chips, os chips e os leitores são relativamente caros e a questão de quem irá pagar os chips (fabricantes ou retalhistas) não está resolvida. Além disto os ganhos mais significativos na performance global da cadeia de abastecimento só serão alcançados quando os chips do RFID forem aplicados ao nível da unidade de venda. Segundo os participantes deste estudo, enquanto as expectativas para a percentagem de cobertura da identificação com RFID são de 54% para as paletes e de 32% para as “caixas”, este valor para as unidades de venda ronda apenas os 6%. Desta forma o cepticismo partilhado por muitos retalhistas relativamente ao potencial do RFID a médio prazo parece largamente justificado.

Resumo livre de um artigo publicado na revista “logistics europe” do número de Maio de 2006.

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