Activos Visíveis

A crescente complexidade da cadeia de abastecimento tem conduzido à necessidade de utilização de sofisticados sistemas de gestão de armazéns (SGA), capazes de melhorar o serviço ao cliente e de reduzir os custos – a visibilidade ao longo da cadeia de abastecimento é crucial. O seu sistema está preparado?

Na Europa muitos negócios estão a passar de organizações de produção para organizações de cadeia de abastecimento, à medida que migram da produção “offshore” para “outsourcers”. Poucas industrias ficaram imunes a esta tendência que continua em grande fase de expansão.
Para estas empresas, os armazéns não servem simplesmente para armazenar produtos, nem representam apenas um custo. Eles são parte integrante do seu negócio, capazes de promoverem quer a redução de custos, quer a melhoria do nível de serviço ao cliente. Quando devidamente gerido, um armazém pode dar um grande contributo para a satisfação do cliente.
Esta perspectiva de negócio resulta de testemunhos dados por empresas Europeias que têm investido em SGA recentes.
A Body Shop melhorou a sua eficiência em 20% e reduziu os custos de manutenção de stock em 23.5%, depois de reformular o seu SGA e de introduzir a gestão automática de recursos e tarefas.

Muitas empresas estão a estender os processos, abrangendo áreas já não estritamente ligadas à gestão de armazéns. Elas querem gerir melhor as suas equipas de trabalho, optimizar a utilização do espaço de armazém e introduzir algumas técnicas como o cross-docking e a gestão de localizações de artigos, dependendo da ligação entre os produtos e os respectivos parceiros da cadeia de abastecimento.
A chamada colaboração na cadeia de abastecimento é fundamental para muitos destes processos. Quanto maior for o grau de colaboração, maiores as possibilidades de obtenção de ganhos de eficiência.
A colaboração pode aumentar extraordinariamente a capacidade do armazém e o nível de serviço que este pode entregar aos seus clientes. O ASN é um bom exemplo de como a troca de informação entre parceiros pode conduzir a consideráveis ganhos de eficiência, através da eliminação de tarefas administrativas e da antecipação de actividades, de modo a encurtar os tempos no processo.

Os sistemas de gestão de armazéns estão a tornar-se incrivelmente flexíveis, com softwares que actualmente são capazes de gerir centros de distribuição de retalho, onde se trabalha em simultâneo a execução de grandes volumes e a execução à unidade, de modo a responder tanto às suas lojas e como a clientes independentes.
À medida que as redes de centros de distribuição se tornam maiores, mais diversificadas e consideravelmente mais complexas, os requisitos para os SGA também se vão modificando. Anteriormente, a selecção de um SGA passava muitas vezes pela obtenção de uma boa pontuação pelo cumprimento das melhores práticas de gestão de armazéns, mas agora um SGA tem que suportar uma gama mais vasta de actividades, tem que ser flexível.
Com o aparecimento da cadeia de abastecimento orientada aos consumidores, os directores da cadeia de abastecimento estão a ser solicitados para responder aos requisitos da “procura directa do consumidor” em cadeias desenhadas para fornecer lojas e de centros de distribuição. Isto exige flexibilidade, processos geridos por SGA que possam acomodar a introdução de novos requisitos à medida que o negócio se altera e se expande.

Para atingir a eficiência num sistema de armazéns, a forma como o trabalho está organizado é particularmente critico, pois estamos perante um negócio que ainda é trabalho intensivo. As pessoas que trabalham nos centros de distribuição não tendem a permanecer muito tempo nas suas funções, logo a formação não só se transformou num custo “à cabeça”, como também é algo difícil de transmitir a uma mão-de-obra flutuante.
Faz assim sentido usar um SGA para gerir as actividades das equipas de trabalho tanto quanto possível. Tecnologias como “pick-to-light”, reconhecimento de voz e radio frequência usadas para dirigir os operadores nas suas actividades de execução e arrumação e para proceder à recolha eficiente de informação, constituem uma importante ferramenta para produzir aumentos significativos de eficiência, sem recorrer à formação intensiva.

O RFID é outra tecnologia de recolha de dados, que efectivamente é muito promissora mas que ainda necessita de alguma maturação.
Para muitos gestores de armazéns, a estrutura de IT necessária para suportar o RFID ainda representa um investimento muito elevado. O volume de dados gerados, a complexidade da gestão dos leitores, a falta de standards, o número limitado de métodos de interpretação dos dados e os custos de integração com as actuais aplicações constituem ainda barreiras consideráveis à apropriação clara dos benefícios associados à introdução desta tecnologia.
Outra questão pertinente é a forma como se irá gerir a explosão de informação proporcionada pela aplicação do RFID, assim como garantir a qualidade e consistência da mesma.

Vejamos uma situação bem conhecida de todos os que já passaram por um processo de implementação de um SGA, num cenário de gestão de armazém muito básica.
Para o sucesso de um SGA é fundamental o registo com grande exactidão das dimensões e do peso de cada item relativo a cada unidade de medida gerida no armazém. Adicionalmente pode ainda ser necessário recolher um conjunto de outras informações, nomeadamente se pode misturar um item com outros items numa mesma localização de stock, que tipo de estrutura deve ser usado, a altura máxima onde pode ser armazenada, a quantidade máxima por localização, a classe de perigosidade, etc.
A empresa AT Kearney, estimou que 30 biliões de euros ou seja 3,5% do total de vendas anuais são perdidos devido a ineficiências da cadeia de abastecimento, com erros em cerca de 1/3 da informação presente nos catálogos do retalho. Estes erros custam entre €60 a 90€ para corrigir e necessitam de 25 minutos de trabalho administrativo por cada SKU.

Os sistemas de gestão de armazéns já não podem trabalhar de forma isolada, tendo que ser parte integrante do processo colaborativo da cadeia de abastecimento. Os dias onde os operadores andavam de caneta e papel nos armazéns estão a chegar ao fim. Quem trabalha em logística ou percebe isto rapidamente ou ficará fora de mercado em muito pouco tempo.

Resumo livre de um artigo publicado na revista “logistics europe” de Abril de 2006.

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