Como Transformar a sua Operação numa Máquina de Cross Docking

Está a pensar introduzir o cross docking na sua operação? Um engenheiro em manuseamento de mercadoria explica que alterações terão que implementar.

Actualmente os gestores de armazém estão a reduzir a gordura das suas operações, eliminando tarefas desnecessárias e introduzindo melhorias nas tarefas de valor acrescentado. Uma estratégia que eles adoptam frequentemente é o cross docking, onde se acelera todo o fluxo de produtos desde a recepção até à expedição, reduzindo ao mínimo a manipulação dos produtos entre as várias etapas.

Apesar do cross docking se ter tornado em mais um chavão, usado nos últimos tempos, trata-se de uma estratégia disponível à várias décadas. Então a que se deve esta recuperação de uma “velha estratégia”? Porque o cross docking responde hoje, a importantes requisitos que o mercado coloca a esta área de negócio. Requisitos esses que ganharam hoje uma importância muito maior do que no passado.

Primeiro o cross docking acelera a velocidade com que os produtos chegam ao mercado. Assim que são recebidos num centro de distribuição, são imediatamente redireccionados para os seus destinatários. Da porta de recepção, os produtos são transferidos para a porta expedição, com o mínimo de manipulação possível.

Depois melhora os custos globais, pois como não existe constituição de stock, as empresas que praticam o cross docking podem reduzir as necessidades de armazenamento e consequentemente reduzir os custos do trabalho relacionados com a manutenção de inventários, para além dos próprios custos do stock. O director de armazenamento da McCain Foods USA, testemunha que com a passagem de apenas 1% do total das suas SKUs para o regime de cross docking obteve uma poupança de 20% a 30% sobre a totalidade de custos de armazenagem.

Apesar dos benefícios proporcionados por esta estratégia, a sua aplicação no mundo empresarial ainda está muito aquém do que seria de esperar, tendo muitas empresas optado por aplica-la a um reduzido número de SKUs.

Evidentemente que com o cross docking deixa de haver a segurança proporcionada pela manutenção de stock, para fazer face às oscilações da procura, sendo necessário fazer uma considerável alteração da forma de pensar e da própria organização das estruturas e da gestão do trabalho nos centro de distribuição.

Quando se inicia um processo de introdução do cross docking numa operação logística é fundamental a adopção de uma abordagem sistemática, dando especial importância à gestão da mudança, de modo a proceder a uma reformulação do centro de distribuição.

Segue-se um conjunto de elementos que não deverão ser esquecidos durante o processo de planeamento e implementação do cross docking:

Ponto 1. Selecção de Artigos e Fornecedores

Nem todos os produtos podem ser trabalhados em cross docking. Os melhores candidatos são os que reúnam simultaneamente as características de terem uma procura altamente previsível, serem os campeões das vendas e terem uma grande cubicagem. Neste cabaz de melhores candidatos podemos encontrar:

  • Perecíveis que necessitem de expedição imediata
  • Artigos de alta qualidade que não necessitem de um extenso controlo de qualidade na recepção
  • Pré-embalados e etiquetados
  • Produtos para eventos promocionais e lançamento de produtos novos
  • Produtos com uma procura contínua e estável como o leite e o papel higiénico
  • Produtos que transitam de uma loja para outra
  • Produtos executados provenientes de outros centros de distribuição

Para os retalhistas e distribuidores, a selecção dos fornecedores adequados para realizarem cross docking é um processo envolvente, pois os fornecedores terão que ser capazes de entregar o produto certo, na quantidade certa e no momento exacto. Fornecedores com altíssimo nível de serviço.
Os fornecedores ideais para o cross docking deverão:

• Entregar o produto com a configuração correcta, de modo a possibilitar o manuseamento eficiente nos centros de distribuição receptores
• Cumprir de modo consistente todos os requisitos de qualidade e preparação das encomendas acordados
• Partilhar informação de modo efectivo e eficiente com os seus clientes

Ponto 2. Planeamento e Redefinição da Operação

Quando se inicia um programa de cross docking e se decide qual será o desenho mais apropriado para a operação, é fundamente que primeiro se faça uma avaliação das capacidades actuais das instalações existentes. A dimensão das alterações necessárias nas instalações, dependerá do volume e dos requisitos de manuseamento requeridos pelos produtos seleccionados. Obviamente que quanto menos referencias entrarem em cross docking menos alterações terão que ser feitas na configuração das instalações. O tipo de unidade de manipulação envolvida tem uma influência determinante na montagem da operação. Uma coisa será receber e expedir paletes completas, outra coisa será trabalhar com um cross docking à caixa.

Relativamente à configuração das instalações convém estar atento aos seguintes pontos:

Layout e Capacidade da Área de Cais. Verifique se tem um número de portas suficiente e se a área de cais é suficientemente vasta de modo que as paletes possam circular rapidamente e livremente entre a porta de recepção e a de expedição. Sempre que possível elimine racks para libertar espaço.

Gestão do Parque de Estacionamento e Acesso aos Cais/Portas. É fundamental que os veículos dos fornecedores possam cumprir com os horários de entrega, sendo fundamental a manutenção de uma grande fluidez de circulação de veículos a encostar e desencostar das portas. Especial atenção aos tempos de espera dos veículos dos fornecedores.

Equipamento para Manuseamento dos Produtos. A rapidez de movimentação de mercadoria dentro do armazém é fundamental. Os tempos de execução das tarefas são muito curtos. Especial atenção à utilização de equipamento adequando como a utilização de porta paletes de capacidade dupla em vez de dos simples.

Recursos Humanos. A capacidade de planeamento e de antecipação de problemas é fundamental para fazer face aos imprevistos. Num processo de cross docking não existem folgas para corrigir erros. O tempo é fundamental. Uma boa equipa de supervisores e de planeadores é fundamental para garantir elevados padrões de nível de serviço aos clientes.
Uma alternativa interessante para fazer face a picos de trabalho é recorrer a outsourcing de recursos humanos para os centros de distribuição.

Sistemas de Informação. Apesar de existirem alguns casos de sucesso de cross docking com base em papel, a utilização de fluxos de informação em tempo real e sem utilização de papel entre os armazéns e os fornecedores é altamente recomendável para a obtenção dos benefícios esperados.
A utilização de mecanismos de captura de dados electrónica, com uso dos códigos de barras e de terminais móveis (RF) é imprescindível para aumentar a eficiência da utilização das portas e reduzir os erros de manipulação dos produtos. A utilização de leitores RFID é mais um passo em frente no aumento da rapidez de movimentação da mercadoria no cais e na fiabilidade dos dados capturados.

Ponto 3. Justificação e Partilha de Custos

Geralmente os custos de implementar uma estratégia de cross docking não são muito significativos quando comparados com os benefícios obtidos.
No entanto nos casos onde o cross docking implique uma elevada mobilização de fundos, deverá procurar uma partilha desses custos com os seus parceiros de negócio; os fornecedores.

Ponto 4. Implementação e Manutenção

Se não tem qualquer experiência com o cross docking, inicie a implementação com a criação de um programa piloto. Por esta via consegue estudar os efeitos produzidos pelo cross docking numa pequena escala, detectar falhas no processo e corrigi-las antes de introduzir este conceito a nível global.

Em jeito de conclusão pode-se afirmar que se bem planeado, desenhado e implementado, fazer a reconversão dos seus armazéns para acomodar o cross docking irá conduzir à redução dos custos operacionais, à redução do capital investido em stock e melhorar extraordinariamente a rotação global do stock.

Tradução livre de um texto de Maida Napolitano

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