O Novo Paradigma Logístico do Mercado Espanhol

No VIII Encontro do Club de Logística realizado em Madrid, o tema principal foi o de perspectivar os desafios futuros que serão colocados à Logística. Como é que esta actividade irá conseguir manter a competitividade numa conjectura de inovação tecnológica e revolução organizativa. Este encontro reuniu cerca de 400 profissionais do sector em torno desta temática.

Gonzalo Sanz, presidente da Lógica (Organización Empresarial de Operadores Logísticos), abriu o seu discurso com a frase “ficar-se no conhecido por medo do desconhecido, equivale a manter-se com vida mas sem viver” e definiu o paradigma como “um modelo a alcançar, um exemplo a seguir, um ideal, um esquema mental ou também uma ideia, que deixa de ser um meio de atingir um objectivo, para se converter no próprio objectivo”.

Durante o debate, um dos temas centrais foi inevitavelmente o relacionamento entre os operadores logísticos e os seus clientes e o seu reflexo no tipo de contratos que se estabelecem entre as duas partes. Segundo Xavier Soucheiron, conselheiro delegado da DHL Exel Supply Chain, as características mais frequentes encontradas nos contratos são:

  • Curta duração
  • Têm um alcance muito segmentado
  • Muito focalizados no custo
  • Pouco enfoque no valor
  • Desequilíbrio entre Risco e Rentabilidade
  • Frequentemente apresentam mais penalizações do que bónus
  • Exigem muita flexibilidade mas nem sempre contemplam a planificação necessária

Algumas das consequências que resultam deste tipo de contratação são:

  • Tendência para tratar os operadores logísticos como uma “commodity” (produto primário, com pouca diferenciação)
  • Tensões no relacionamento diário, que impedem a planificação a médio, longo prazo
  • Ineficiência da cadeia logística
  • Pouca geração de valor
  • Baixa rentabilidade para os operadores logísticos
  • Baixo nível de satisfação dos clientes
  • Pouca motivação para inovar
  • Dificuldade para atrair e reter profissionais qualificados
  • Relações laborais conflituosas

Segundo a opinião de Jaume Hugas Sabater, director executivo da Unidade Executive Education de ESADE Business School, o novo paradigma deverá basear-se em algumas das tendências que já se perspectivam, nomeadamente o fim do modelos de preços baixos, a aposta na especialização ou na globalização como motor de crescimento, a maior procura de serviços personalizados pelos clientes, aumento do investimento em talento e formação, passar de economias de volume para se concentrar na rentabilidade e a necessidade de passar de depositários de mercadoria à internacionalização da logística.

Relativamente à componente contratual, Xavier Soucheiron defende que para garantir a sustentabilidade dos contratos logísticos, é necessário proceder a uma inversão de algumas das principais características dos contractos actuais, introduzindo os seguintes elementos de correcção:

  • Contratos satisfatórios para ambas as partes
  • Promoção da geração de valor para o cliente
  • Promoção da rentabilidade para os operadores logísticos
  • Que motivem ambas as partes a melhorar continuamente
  • Incentivem o trabalho em equipa
  • Apresentem mais bonificações do que penalizações
  • Sejam transparentes e realistas
  • Que se concentrem na criação de valor
  • Apresentem desafios às pessoas envolvidas

Nesta perspectiva o novo paradigma para a logística terá que se basear numa gestão progressivamente mais estratégica da cadeia logística. Esta modificação passa por três elementos fundamentais: dar muito mais importância ao impacto da cadeia logística na conta de resultados no que apenas na factura logística, analisar a cadeia no seu conjunto e não parcialmente, introduzir mais inteligência, mais conhecimento e menos braços, menos esforço físico.

Relativamente ao relacionamento entre os operadores logísticos e os seus clientes, este deve basear-se em regras de jogo claras e transparentes para as duas partes, uma definição conjunta de expectativas, prazos adequados de relacionamento que permitam retornos interessantes e equilíbrio correcto entre risco e rentabilidade.

Apesar desta análise ter como pano de fundo o mercado Espanhol de operadores logísticos, em termos genéricos ela pode ser aplicada ao mercado Português. A situação actual em termos de contractos é semelhante, e futuramente o mercado Ibérico será uma realidade incontornável.

O que estes escontros entre operadores Espanhóis revelam é que estão mobilizados e organizados. Estão procurando re-alinhar orientações estratégias, reforçar a capacidade competitiva e desenvolver com os seus clientes uma nova plataforma de relacionamento. Com este movimento procuram reforçar não só a sustentabilidade dos seus negócios como também projectar, quer internamente quer no mercado internacional, uma imagem de profissionalismo, modernidade, eficiência e competitividade.

Se os operadores logísticos portugueses não se mobilizarem, e apostarem num trabalho conjunto do mesmo género, terão muitas dificuldades, ainda maiores do que as que actualmente existem, em competir com os seus colegas da vizinha Espanha. Num mercado Ibérico aberto e sem quaisquer barreiras protectoras ganham os mais aptos, os que trabalharem melhor.

Mais Recentes

O Alfaiate da Logística

"IS.Retail - O Alfaiate da Logística Têm uma aplicação informática com cerca de 2.000 utilizadores, foram a primeira empresa em Portugal a oferecer ao mercado um software para a gestão de ...
Ler mais

Este é o Momento para Investir num Novo Sistema de Gestão de Armazém

Efectivamente existe um conjunto de boas razões para que as empresas apostem na introdução de melhorias tecnológicas e na melhoria do seu sistema de gestão de armazém, em momentos de ...
Ler mais

WMS: É fundamental para a execução de mercadoria

Visitem 3 centros de distribuição diferentes e provavelmente vão encontrar 3 processos de execução perfeitamente distintos. Se analisarem com atenção vão perceber que as melhores operações têm um elemento em ...
Ler mais