O Cross Docking Está Em Evolução

Actualmente já não se trata apenas de aumentar a velocidade com que os produtos chegam ao mercado. O cross docking está a ajudar os operadores a tirar o máximo partido de cada quilómetro que fazem, para além de contribuir para a redução de custos ao longo da cadeia de abastecimento.

O quadro actual é bastante negro. Os consumidores estão a comprar menos, muitas lojas de retalho estão a fechar e os fabricantes estão a pôr “travões a fundo” na produção. A única coisa boa no meio de tudo isto é o facto da diminuição na procura estar a produzir uma espiral negativa nos preços do petróleo, pelo menos por agora.

Como é que este conjunto de eventos está a afectar a abordagem que as empresa estão a fazer ao cross docking, esta velha estratégia de movimentar os produtos directamente da recepção para a expedição, com pouca ou nenhuma manutenção de stock e a mínima manipulação dos produtos?

De acordo com Mike DelBovo, vice-presidente sénior do operador logístico Sadle Creek Transportation,Inc., o cross docking deverá fazer e fará furor. “Agora, mais do que nunca, os gestores procuram identificar alternativas para ganhar uns euros. Este velho conceito foi recuperado porque tem dado provas de que consegue cortar custos”.

No entanto actualmente o cross docking está a sofrer algumas alterações. Algumas instalações que trabalham só em regime de cross docking estão a evoluir no sentido de se deslocarem e se tornarem mais flexíveis, como forma de lidar com as mudanças do sourcing global e da alteração dos locais de entrega. Apesar da redução dos preços dos combustíveis, outras empresas estão a procurar integrar este conceito com estratégias de transporte como a consolidação e des-consolidação para maximizar as poupanças nos custos.

Os objectivos do cross docking também sofreram algumas alterações. Já não é só ou essencialmente aumentar a rapidez com que os produtos chegam ao mercado. Nestes tempos difíceis procura-se mais a redução de custos, o aumento da flexibilidade da cadeia de abastecimento e conseguir rentabilizar ao máximo cada quilómetro que tem que ser feito. Nos próximos parágrafos iremos ver quais as técnicas e estratégias que operadores e outros especialistas têm aplicado nos Estados Unidos da América para responder da melhor maneira aos desafios colocados pelas novas tendências económicas.

1.Não Fazer Apenas Cross Docking, Mas Também Consolidar

O cross docking acontece quando se movimenta uma palete da recepção directamente para a expedição. No entanto para se obter ainda maiores poupanças, pode-se planear as recepções e as expedições, de modo a se obter cargas completas e desta forma rentabilizar ao máximo a utilização dos carros.

“Se dou entrada de 10 camiões e imediatamente faço sair outros 10, é certo que vou ter poupanças consideráveis, pois não constituo stock destes artigos. Agora o ideal mesmo é eu conseguir dar entrada de 10 camiões e fazer sair apenas 9, por consolidação de carga. Neste caso poupou-se um camião completo; aqui estamos a falar de dinheiro a sério.”

A consolidação não é mais do que tirar o máximo partido da capacidade dos carros, através de um trabalho de colaboração com os fornecedores para que as expedições resultem em carros completos.

É uma questão de economias de escala. Quanto mais se conseguir transportar por quilómetro menor será o custo por unidade transportada. Reduzir um carro por dia pode não parecer muito, mas pode significar uma poupança importante, especialmente em cenários onde os custos de transporte podem representar 40% do total de custos operacionais da logística.

2.Deslocar e Des-Consolidar

À medida que a produção vem cada vez mais do Pacifico, muitas empresas localizadas na Costa Este estão a deslocar-se para a Costa Oeste criando aí instalações de cross docking e de des-consolidação.

A des-consolidação é o processo de partir um único carregamento, que pode agrupar um conjunto de contentores “oceânicos”, em vários contentores mais pequenos e proceder à entrega imediata dessas expedições. Combinando esta prática com a deslocação para a Costa Oeste, elimina-se o tráfego cruzado (da Costa Oeste para a Este e depois da Costa Este para os vários pontos de entrega que se localizam na Costa Oeste) entre as duas costas dos Estados Unidos. Um movimento idêntico pode eventualmente ocorrer na Europa, se houver uma deslocação do ponto de entrada dos produtos do Norte da Europa para o Sul, nomeadamente para a Península Ibérica.

A des-consolidação feita junto dos portos permite implementar uma estratégia de adiamento. Como o transporte marítimo demora muitas vezes várias semanas, os clientes podem adiar a alocação dos produtos aos diversos pontos de entrega, até que o produto chegue efectivamente aos portos. Ao fazer isto, possibilita tirar partido das últimas tendências da procura, das previsões metrológicas e da variabilidade dos custos de transporte.

3.Conciliar o Cross Docking Com Manutenção de Stock

Numa economia em franca desaceleração é natural que o nível de stock ao longo da cadeia aumente à medida que a procura cai rapidamente, resultado do desequilíbrio entre a oferta e a procura.

Segundo Jack Kuchta, “ um resultado provável para a cadeia de abastecimento será um desenho radial, onde num grande HUB central é mantido stock e um conjunto de instalações de cross docking respondem às flutuações diárias da procura.”

Nestes tempos difíceis conciliar a manutenção de alguma stock com a utilização em cross docking não é uma opção, é mesmo uma necessidade.

4.Aposta Em Rotas Mais Criativas e Mais Baratas

No actual ambiente económico os operadores de cross docking estão a refazer as suas rotas de entrega, de modo a aumentar o número de cargas completas, incrementando o número de locais de entrega que cada carro terá que visitar, de modo não penalizar o custo por unidade transportada.

5.Utilizar Ferramentas de Planeamento Mais Avançadas para Incorporar As Últimas Tendências de Mercado No Planeamento do Cross Docking

Os artigos ideais para fazer cross docking são os que apresentam uma procura contínua e estável ao longo do tempo, como é o caso clássico do leite e do papel higiénico. Infelizmente nos dias de hoje a procura dos produtos é muito instável, o que torna o cross docking mais difícil de implementar.

Actualmente existem modelos matemáticos que incorporam não só dados internos como também dados de mercado para prever como é que o negócio vai reagir.

Uma coisa é certa quanto melhor forem as ferramentas utilizadas para prever a procura mais fácil será fazer cross docking.

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