Redução de Stock Eleita Pelas Empresas para Reagir à Recessão

Segundo o relatório de um estudo levado a cabo por uma das principais consultoras americanas em cadeia de abastecimento, a forma que as empresas encontraram para contrariar este período de grande incerteza do ponto de vista económico, foi promover a redução dos níveis de stock, através de uma procura activa de melhores práticas.

Efectivamente 54% das empresas que participaram no estudo indicaram a redução de stock como sendo a sua acção prioritária.

Para muitas empresas, especialmente aquelas que têm uma cadeia de abastecimento global, o stock é o elemento que está a ter maior impacto, naturalmente negativo, na sua posição de “working capital”. Devido ao crescente aumento de complexidade global, as empresas estão a ressentir-se de “lead-times” longos e de uma elevada volatilidade da procura. Tudo isto faz com que as atenções se centrem na gestão de stock. Como consequência directa, identificar as melhores práticas e as ferramentas mais adequadas que possibilitem reduções interessantes nos valores de inventários passou a ser crítico para o bom desempenho das empresas.

As empresas procuram intensivamente iniciativas práticas que lhes permitam libertar “working capital” mantendo elevados índices de satisfação do cliente. Uma vez que 62% das empresas reportaram quebras significativas na procura dos clientes, a focalização na redução do stock é crítica se as empresas quiserem evitar uma situação de aumento significativo das quebras ou perdas de inventário, resultante da acumulação de stock, que não consegue ser vendido.

O estudo revelou que 91% das empresas inquiridas iniciaram programas de identificação de oportunidades para aumentar a “performance do stock”, através de melhorias introduzidas nos processos.

Numa outra perspectiva, 61% das empresas afirmam que já nos últimos seis meses efectuaram ou lhes foi pedido para avançarem com recomendações relativamente à implementação de novas tecnologias ligadas à gestão de stocks.

Neste cenário, as empresas consideradas como as que apresentam melhores valores de performance global, podem ver a sua posição de liderança reforçada pois conseguem fazer mais facilmente uma gestão contínua do stock ao longo de toda a cadeia de abastecimento, mantendo uma pressão constante para melhorar nível de serviço a cliente, reduzir a margem de erro das previsões e melhorar as métricas incluídas no conceito de encomenda perfeita. Quem mais rapidamente se conseguir adaptar e vencer os novos desafios colocados pela recessão económica, ganhará vantagens competitivas que poderão alterar a relação de forças do respectivo mercado.

Se considerarmos o efeito, da tendência registada no primeiro semestre de 2009, para a descida de preços ao consumidor, teremos mais um incentivo para manter os níveis de stock no mínimo estritamente necessário. Para além do efeito de aumento do capital imobilizado, motivado pela redução da procura, ainda à a considerar o estreitamento das margens, motivado pela redução dos preços de venda, como medida de relançamento da procura.

Estamos claramente a atravessar um período, que irá revelar quem é que está em melhores condições para rapidamente reagir às novas condicionantes do mercado e quem consegue tirar melhor partido das ferramentas de gestão e tecnológicas que dispõe, para, com conhecimento e criatividade, tirar vantagem desta fase recessão económica.

O Relatório de Benchmarking da Gestão de Armazéns no Reino Unido Revela Um Baixo Uso do Cross-Docking

Apesar de muito se escrever sobre o cross-docking, em 80% dos armazéns do Reino Unido a movimentação de mercadoria em cross-docking representa apenas 10% ou menos do total movimentado, revela um estudo levado a cabo pela conceituada Cranfield School of Management.

 

Esta é uma das conclusões presentes no estudo “2008 UK Warehouse Benchmarking Report”, que permite às empresas comparar-se com a média do mercado e apresenta uma breve visão do nível de performance do “mercado de armazenagem”.

Os resultados do estudo mostram que têm sido construídos armazéns de grandes dimensões nos últimos anos, provavelmente impulsionado por factores como a globalização, que tem provocado um aumento dos “lead-times” (tempos de entrega) e consequentemente conduzido ao aumento dos níveis do stock de segurança, necessário para manter o nível de serviço ao cliente. A maior parte dos armazéns estão actualmente a agir como “pontos de distribuição” nestas longas cadeias de abastecimento, separando os fluxos da produção das respostas rápidas necessárias para satisfazer a volatilidade dos mercados, através da constituição de stock.

Se por um lado o cross-docking não é usado na maioria dos armazéns do Reino Unido, tem uma grande aceitação em algumas cadeias de abastecimento. O estudo revela que 9% dos armazéns trabalham 45% da sua movimentação em cross-docking. Este grupo inclui os armazéns que movimentam produtos como marisco, sumos, o ramo alimentar em geral e livros.

Esta pesquisa também chama a atenção para o facto de enquanto a maior parte dos armazéns prestam serviços de valor acrescentado (p.e.: colocação de preços, kitting e montagem final), a maioria das actividades são simples e executadas como parte do processo de execução e embalamento – em vez de estarem alocadas a uma determinada área do armazém. Em média, apenas 8% da área do armazém está reservada aos serviços de valor acrescentado.O relatório examina a utilização e as perspectivas de utilização futura das várias metodologias para a recolha de dados e comunicação. Curiosamente existem mais armazéns interessados na utilização futura da tecnologia de voz (15%) do que na de RFID (10%).

Dr. Peter Baker, Sénior Lecturer in Logistics and Supply Chain Management em Cranfield, afirmou: “Os nossos números sugerem que o aumento previsível da utilização do RFID é algo que só acontecerá num futuro menos próximo. Um dos motivos deve estar ligado ao facto do retorno da tecnologia de voz ser mais fácil de calcular enquanto que o retorno do RFID é mais complexo de calcular e a tecnologia ainda não está totalmente desenvolvida.”

Apesar dos operadores logísticos serem extensivamente utilizados nas cadeias de abastecimento modernas, muito armazéns ainda são detidos pelos fabricantes, grossistas e retalhistas. Esta situação explica-se pela natureza de longo prazo da propriedade das instalações (necessidade de amortização do investimento feito na aquisição) e pelo facto da logística ser vista como um competência central -“core”- para o negócio. No estudo, 64% dos armazéns são classificados como detidos pelos próprios (fabricantes, grossistas e retalhistas), para além de mais 11% pertencerem a operadores logísticos que trabalham em regime de exclusividade para um cliente. Cerca de um quarto dos armazéns são explorados por operadores logísticos que prestam serviços a múltiplos clientes.

Este estudo também revelou que mais de 94% dos armazéns utilizam um sistema de gestão de armazém (SGA/WMS), sendo que 56% utilizam um SGA especializado, 24% utilizam o módulo de gestão de armazém de um ERP (Enterprise Resource Planning) e 16% um sistema desenvolvido internamente pela própria empresa. Os armazéns de maiores dimensões tendem a utilizar um SGA especializado ou a um sistema desenvolvido internamente, possivelmente devido à necessidade de fazer uso de um maior leque de funcionalidades e a um maior nível de especialização dos próprios processos de negócio.

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